Sapateado: Dança ou Música?

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Com o objetivo de trazer mais informação e
conhecimento ao público vinhedense sobre os cursos oferecidos nas Oficinas
Culturais da Prefeitura de Vinhedo, o Espaço Cultural, inicia, com este artigo,
uma série de matérias sobre conceitos e benefícios da arte, seja esta a dança,
a música, o canto ou as artes visuais e sua importância na construção e
formação do indivíduo como cidadão crítico e participativo na comunidade onde
vive.

Um breve histórico sobre as origens e o surgimento desta “dança ou música”
que é o Sapateado, elucidará o porquê do título. Afinal, o que é o sapateado? É
uma dança sonora, cujos sons (música) são produzidos pelos pés, utilizando o
sapato como instrumento e se originou, principalmente, da fusão cultural entre
irlandeses e africanos.

A herança irlandesa
Por volta do século V, os camponeses irlandeses passaram a utilizar sapatos
com solado de madeira para se protegerem da umidade que vinha da terra.
Despertados pelos sons que esses sapatos faziam, começaram a criar diversos
ritmos e músicas, que deram origem a uma dança conhecida como Irish Jig (Irish – irlandês jig – espécie de
dança).

Nos pequenos centros urbanos da Inglaterra, no início da Revolução Industrial
(século XVIII), os operários usavam uma espécie de tamanco de madeira para se
protegerem do chão muito quente das fábricas. Nos intervalos de trabalho
reuniam-se nas ruas, tanto homens como mulheres, para uma animada competição
cujo vencedor seria aquele que conseguisse produzir os sons e ritmos mais
variados batendo as solas dos sapatos no chão de pedra. Surge daí a Lancashire
Clog – (Lancashire – cidade inglesa clog – tamanco). Mais tarde os tamancos de
madeira foram substituídos por calçados de couro por serem, estes, mais
flexíveis. Moedas de cobre foram, então, adaptadas ao salto e à biqueira para
que o som produzido por este “sapato musical” fosse mais puro. Posteriormente
as moedas foram substituídas por pequenas placas de metal: os taps.

A herança africana
Como é comum em toda cultura denominada primitiva, a dança era uma das
principais formas de expressão das comunidades africanas. Os escravos trazidos
da África Ocidental para as Américas praticavam rituais seculares com danças
circulares religiosas, denominadas de djouba
ou gioube, acompanhados pelo som
de tambores.

Durante a travessia pelo Oceano Atlântico, os escravos dançavam uma espécie de gioube ao som produzido com baldes virados e
tinas. O som improvisado e a restrição aos movimentos, por causa das correntes
em que eram amarrados, podem ter propiciado a primeira das muitas mudanças
sutis ocorridas na dança africana, até tornar-se um estilo de dança
afro-americano. Também dançavam por uma
ou duas horas acompanhados por gaitas de fole, harpas e rabecas, quando eram
levados ao convés para se exercitarem após as refeições.

Os marinheiros que presenciaram tais eventos foram os primeiros brancos que,
mais tarde, se tornariam espectadores e participantes dos bailes dos escravos
urbanos. Na América do Norte, os africanos tiveram contato com as danças da
corte européia, especialmente as quadrilhas. Essas danças européias foram por
eles adaptadas mantendo os padrões e formas, mas introduzindo os ritmos
africanos. Na dança afro-americana Juba, originada da africana gioube, os dançarinos giravam no sentido
horário, arrastando os pés de maneira rítmica, batendo as mãos e dando leves
batidas no corpo, como se este fosse um tambor.

A junção de culturas
Em meados do século XVII, a chegada de irlandeses, deportados junto com
suas famílias e contratados para trabalhar, sob péssimas condições, por
fazendeiros, propiciou uma miscigenação cultural com os escravos africanos.
Trabalhavam juntos, moravam juntos e dançavam juntos. Foi assim que a a Irish jig originada da Irlanda e o gioube da África Ocidental se transformaram
nas americanas jig e juba, que, por sua vez, se fundiram em
uma espécie de dança chamada “jigging
incorporada em shows, nos idos de
1800, por dançarinos brancos e negros, que fizeram do Sapateado um
entretenimento muito popular no século XIX. Texto
baseado em material fornecido pela assessora cultural Tatiane Bruschi,
responsável pela Oficina de Sapateado do Espaço Cultural.

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