Obesidade infantil possui diferentes causas e exige acompanhamento profissional, mudanças para toda a família e atenção à saúde emocional
Dados divulgados pelo Governo Federal apontam que cerca de uma em cada três crianças brasileiras apresenta excesso de peso. Se a tendência atual continuar, mais da metade das crianças e adolescentes do país poderá estar nessa condição até 2035.
Apesar de os números chamarem a atenção, especialistas reforçam que a obesidade infantil não deve ser tratada com culpa, punições ou comentários sobre aparência. O cuidado envolve uma série de fatores e precisa ser conduzido com acolhimento, orientação profissional e participação da família.
O excesso de peso inclui tanto o sobrepeso quanto a obesidade. Na infância, o diagnóstico não pode ser feito apenas pela balança ou pela aparência física. A avaliação considera idade, sexo, altura, fase de desenvolvimento e curvas específicas de crescimento, sendo necessária a análise de um profissional de saúde.
Obesidade não é falta de disciplina
A obesidade infantil é considerada uma condição crônica e multifatorial. Entre os fatores que podem influenciar estão predisposição genética, hábitos familiares, acesso aos alimentos, qualidade do sono, saúde emocional, sedentarismo e consumo frequente de produtos ultraprocessados.
Por isso, especialistas alertam que culpar a criança ou atribuir a condição exclusivamente à falta de disciplina pode trazer consequências negativas. Comentários sobre o corpo, comparações com irmãos ou colegas e cobranças excessivas podem aumentar sentimentos de vergonha, ansiedade e isolamento social.
O foco do tratamento deve estar na promoção da saúde, do bem-estar e da qualidade de vida, e não apenas na perda de peso ou em questões estéticas.
Dietas restritivas podem causar prejuízos
Outro alerta importante é sobre o uso de dietas restritivas sem acompanhamento profissional. Cortar grupos alimentares ou seguir orientações encontradas na internet pode comprometer o crescimento e o desenvolvimento infantil.
Especialistas recomendam evitar atitudes como pesar a criança diariamente, oferecer recompensas pela perda de peso ou criar refeições diferentes apenas para ela. Em muitos casos, o objetivo do acompanhamento não é uma redução rápida do peso, mas garantir um crescimento saudável ao longo do tempo.
Mudanças devem envolver toda a família
A participação da família é considerada fundamental para o sucesso do tratamento. Em vez de colocar apenas a criança em uma dieta, a orientação é promover mudanças que beneficiem todos os moradores da casa.
Entre as medidas recomendadas estão manter água disponível durante o dia, estabelecer horários para as refeições, aumentar o consumo de frutas, verduras, legumes, arroz e feijão e reduzir gradualmente refrigerantes, bebidas açucaradas e alimentos ultraprocessados.
Também é importante realizar refeições em família, sem distrações como celulares e televisão, além de incentivar a participação das crianças na escolha e no preparo dos alimentos.
A prática de atividades físicas deve ser estimulada de forma positiva. Caminhadas, passeios de bicicleta, brincadeiras ao ar livre, dança e esportes podem contribuir para uma rotina mais ativa sem que o exercício seja encarado como castigo.
Quando procurar ajuda
Pais e responsáveis devem buscar orientação profissional ao perceber ganho acelerado de peso, alterações no crescimento, cansaço frequente, dificuldades respiratórias durante o sono, dores articulares ou sofrimento emocional relacionado ao corpo.
Situações de bullying, isolamento social, tristeza, ansiedade ou mudanças no comportamento alimentar também merecem atenção.
Em Vinhedo, a rede municipal de saúde oferece atendimento por meio das Unidades Básicas de Saúde (UBSs), que funcionam como porta de entrada para avaliação pediátrica, acompanhamento do crescimento e encaminhamentos para outros profissionais quando necessário.
Se Liga
🔹 Excesso de peso e obesidade não são a mesma coisa.
🔹 A aparência não é suficiente para determinar um diagnóstico.
🔹 Dietas e medicamentos não devem ser utilizados sem orientação profissional.
🔹 Comentários, apelidos e comparações podem prejudicar a saúde emocional da criança.
🔹 Mudanças nos hábitos alimentares e na rotina devem envolver toda a família.
🔹 A UBS de referência pode orientar e acompanhar cada caso individualmente.
Esta matéria tem caráter informativo e não substitui avaliação médica, pediátrica ou nutricional.