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O prefeito de Jaguariúna, Márcio Gustavo Bernardes Reis, a secretária
municipal de Turismo e Cultura, Maria das Graças Hansen Albaran, e sua equipe
apresentaram nesta terça-feira, 10/11, o projeto de recuperação e revitalização
do Centro Cultural e do Museu Ferroviário, instalados na estação ferroviária
localizada à entrada da cidade.
Os profissionais selecionados pela equipe da Secretaria de Turismo e
Cultura de Jaguariúna terão um ano para iniciar o trabalho de revitalização do
prédio principal e seus anexos, a contar do próximo dia 19, quando ocorre um
coquetel de apresentação oficial do projeto à população, autoridades e
empresários interessados em patrocinar as obras.
O investimento será de R$ 1,45 milhão, entre recursos públicos e da
iniciativa privada. “Já temos uma verba do governo federal para as
reformas do museu ferroviário e do espaço da Feira de Artesanato (Feart), que
hoje funciona todos os sábados e domingos, em uma área de quase 730 metros quadrados
ao lado da estação. Com o projeto de revitalização, a feira ampliará o número
de expositores de 20 para 60 – entre artesãos e comerciantes de alimentos. Mas
esperamos mais recursos financeiros do governo federal e da iniciativa privada
para viabilizar o restante das obras. Os valores serão revertidos totalmente ao
projeto e às obras de revitalização por meio de uma política de
captação junto a órgãos públicos e empresas”, explica a secretária
Maria das Graças Hansen Albaran.
Cada um dos profissionais escolhidos ficará responsável por um dos
vários espaços da estação a serem recuperados ou criados, como restaurante,
lanchonete, café, feira de artesanato, museu ferroviário, livraria, centro de
informações turísticas, bilheteria, playground, praça, auditório, fraldário e
sanitários. Todos os equipamentos mobiliários e eletrônicos utilizados pelos
arquitetos e decoradores nos espaços revitalizados serão doados à comunidade. A
prefeitura está providenciando um parecer jurídico para resguardar esta doação,
que somente poderá ser utilizada para fins culturais e educativos. As empresas
que contribuírem por meio de cotas financeiras à revitalização dos espaços
também terão seus nomes associados a esta ação preservacionista.
Especificações
Os projetos desenvolvidos pelos profissionais seguirão as
especificações arquitetônicas necessárias para se manter o caráter histórico e
cultural da edificação da Estação de Jaguariúna, inaugurada em 1945, em
substituição à antiga Estação de Jaguary, desativada na mesma época e que
ocupava outro local do município. Analisando-se fotos da época da construção da
segunda estação, é possível perceber características neocoloniais nos
ornamentos empregados em suas aberturas e colunas, mas que já não existem no
atual prédio.
As fotos revelam ainda que as características arquitetônicas são
similares à da primeira estação, inaugurada pela Cia. Mogiana de Estradas de
Ferro em 3 de maio de 1875, contando com a presença do imperador D. Pedro II.
Desativada em 1977,
a Estação de Jaguariúna chegou a ser restaurada pela
primeira vez em 1992, quando passou a abrigar o Centro Cultural e o Museu
Ferroviário da cidade. Em 2006, quando a linha férrea que liga o município até
à Estação Anhumas, em Campinas, voltou a operar, foi possível alavancar o
turismo local e regional com o passeio na Maria Fumaça, cujo trajeto completo
entre as duas cidades dura cerca de três horas e meia. Durante o passeio de
trem, monitores contam aos passageiros a história desse meio de transporte, do
café e da sociedade da época, especialmente dos barões proprietários de
fazendas e cafezais. Responsáveis pelo desenvolvimento econômico paulista, as
ferrovias remetem ainda à miscigenação cultural entre brasileiros e imigrantes,
principalmente italianos, que vieram ao país trabalhar nas lavouras das
fazendas, em substituição à mão-de-obra escrava.
Detalhes do projeto
Antes mesmo do lançamento oficial do projeto, a Prefeitura já contratou
dois destacados profissionais para viabilizar os trabalhos de revitalização na
estação ferroviária: a especialista em museologia Maristela
de Camargo, pós-graduada pela Universidade de São Paulo (USP), e o restaurador
de renome internacional Marcio Antonio Leitão, que fez curso de extensão na
Real Academia de Artes de Barcelona, na Espanha.
Maristela será responsável pela adequação do museu ferroviário aos
novos conceitos de espaços destinados à memória, tornando-o um espaço
interativo e significante. Marcio Leitão será encarregado de devolver as
características originais de todo o prédio principal, em todos os seus
aspectos, entre eles, retomar a estrutura externa do edifício, que era aberta,
em formato de arcos, e hoje se encontra fechada com paredes. Em substituição a
ela, serão colocados vidros para delimitar as áreas, elemento considerado
neutro em um trabalho de restauro.
O novo museu ferroviário de Jaguariúna ocupará praticamente a mesma
área expositiva atual, de 177,5 metros quadrados,
mas uma parcela dela será usada para reserva técnica, que é um espaço onde fica
parte do acervo não exposto, já que o museu passará a ter uma exposição
rotativa. “Não há necessidade de se expor tudo de uma vez, pois são muitos
itens, como placas ferroviárias, fotografias, telefones e aparelho de estafe,
doados principalmente pela Associação Brasileira de Preservação Ferroviária
(ABPF). Não tenho um inventário completo do número, mas acredito que são pelo
menos 600 itens, cada qual com seu valor histórico para a ferrovia”, diz
Maristela de Camargo.
Conforme a especialista, uma arquiteta convidada para o trabalho de
revitalização do museu terá que neutralizar algumas paredes expositivas e
adaptar o piso para que ela possa implantar o novo projeto. Entre as idéias
para o futuro espaço está elaborar um filme com trechos da história de
Jaguariúna para exibir aos visitantes. As futuras exposições não se limitarão
apenas a itens ligados à ferrovia, mas a outras formas de manifestação
artística para promover a cultura no novo espaço da cidade.
Com a reforma do museu, Maristela acredita que dobrará o número de
visitantes, que hoje chega a quatro mil pessoas por final de semana. “Um
estudo empírico que realizei mostra que o visitante atual é o turista da Maria
Fumaça, que pega o trem em Campinas e chega à cidade ou sai de Jaguariúna para
o passeio. Com as modificações, o local atrairá não só esse turista, mas a
própria população local e regional, interessada nas novidades que serão
mostradas ao longo do tempo”.
Tombamento de patrimônios históricos
A revitalização do Centro Cultural e do Museu Ferroviário instalados na
estação ferroviária irá inaugurar o amplo projeto de preservação e resgate dos
vários patrimônios históricos da cidade pela atual gestão municipal. “A
maioria dos patrimônios históricos de Jaguariúna necessita de revitalização e
restauro. É o caso do nosso Centro Cultural. Devido à falta de manutenção
adequada, seu atual estado evidencia a necessidade da intervenção que será
feita com revitalização para toda a área. Será um espaço multi-uso e os
arquitetos, decoradores e paisagistas terão o compromisso de devolver à cidade
essa construção que tão bem representa Jaguariúna”, diz o prefeito Márcio
Gustavo Bernardes Reis.
Segundo Rosana Tavares, a equipe da Coordenadoria de Patrimônio
Histórico da Secretaria de Turismo e Cultura está inventariando o patrimônio
histórico de Jaguariúna – alguns particulares, como importantes fazendas do
século XVIII em precário estado de conservação – para viabilizar esse amplo
projeto. “Já chegamos ao número de mais de dez prédios históricos, que
pretendemos tombar por meio de um conselho municipal, que está sendo formado
desde maio e deve ser definido ainda este mês de novembro, a pedido do prefeito
Gustavo Reis. A estação já é um patrimônio municipal, o que permitirá seu
tombamento junto ao futuro conselho local”, explica Rosana que, juntamente
com os arquitetos Adriana Ribeiro e Roberto D’Alessandro, responde pela
concepção e pela coordenação do projeto de revitalização, bem como pela
fiscalização das obras e orientação aos profissionais participantes.
De acordo com o Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico,
Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat), ligado ao governo do Estado
de São Paulo, o tombamento é um ato administrativo realizado pelo poder
público, com o objetivo de preservar para a população, por intermédio da
aplicação de legislação específica, bens de valor histórico, cultural,
arquitetônico, ambiental e até afetivo. A intenção é impedir que esses bens
venham a ser destruídos ou descaracterizados.
Para o restaurador Marcio Leitão, resgatar um patrimônio histórico é
fundamental para preservar a cultura e a memória de uma época passada a
gerações atuais e futuras. Com o extenso currículo de médico, cirurgião
odontólogo, pintor, desenhista, professor de restauros, curador de artes e
escritor, Leitão trabalha hoje justamente como restaurador de patrimônios
históricos tombados.
Entre os trabalhos de restauro já efetuados no país, estão o do Altar
Mor da Catedral de Sorocaba (SP), da Igreja de Santa Rita, em Santa Rita do Passa
Quatro (SP), do Sobradão do Porto, em Ubatuba (SP), e do Conservatório
Dramático e Musical de São Paulo, na capital paulista. Na área ferroviária,
redigiu e participou do projeto de restauro da Estação Ferroviária de
Guaratinguetá (SP), nas áreas de enfeites e adereços das esculturas da
edificação, bem como das peças de condução das águas pluviais – elementos
fundidos em bronze – e portas e janelas em pinho de Riga.