Normal
0
21
false
false
false
/* Style Definitions */
table.MsoNormalTable
{mso-style-name:”Tabela normal”;
mso-tstyle-rowband-size:0;
mso-tstyle-colband-size:0;
mso-style-noshow:yes;
mso-style-parent:””;
mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt;
mso-para-margin:0cm;
mso-para-margin-bottom:.0001pt;
mso-pagination:widow-orphan;
;
font-family:”Times New Roman”;
mso-ansi-language:#0400;
mso-fareast-language:#0400;
mso-bidi-language:#0400;}
Muita gente já sabe que a enxaqueca é um mal
tipicamente feminino: a doença afeta três vezes mais mulheres do que homens. O que a maioria das pessoas desconhece, porém,
é que a enxaqueca feminina está longe de ser desprezível. O neurologista Hilton
Mariano mostra em sua tese de doutorado que a enxaqueca (migrânea) crônica afeta a qualidade de vida das mulheres de modo
semelhante à epilepsia, com um agravante: as mulheres que sofrem com esse tipo
de dor de cabeça são afetadas mais intensamente em termos de dor e limitação
física, bem como em suas vidas sociais.
“Estudei cerca de 50 mulheres que padecem de
enxaqueca e as conclusões realmente surpreendem muita gente. Não se trata de
uma mera dor de cabeça e sim de uma doença neurológica que tem um alto impacto
negativo na vida de todas elas. A dor é muito grande, a ponto de impor
limitações físicas e sociais. Tais achados talvez sejam explicados pelas
características das crises de migrânea, as quais têm a intensidade piorada por
esforço físico e se caracterizam por um estado de hipersensibilidade aos
estímulos externos”, diz, fazendo a ressalva de que a epilepsia afeta mais o
estado geral de saúde física e mental das pacientes do que a migrânea.
A enxaqueca (ou migrânea) é uma doença neurológica
que tem como características principais uma dor predominante de um lado só da
cabeça, náusea, enjôo e vômito, sintomas que pioram com barulho e claridade. “A
dor da enxaqueca costuma ir e voltar, muitas vezes sendo comparada a um coração
batendo. Mas é importante ressaltar que não necessariamente todos os sintomas
aparecem ao mesmo tempo: a enxaqueca pode se expressar ora por dor de cabeça,
ora pelos demais sintomas”, diz Mariano.
O neurologista ressalta que toda enxaqueca tem a
mesma origem: a pré-disposição genética que é ativada por fatores específicos.
“Descobrir quais são os fatores que causam a enxaqueca e controlá-los é o
trabalho do médico. Há até mesmo a enxaqueca menstrual, que ocorre em virtude da
dosagem hormonal do sangue, que muita gente acha que é ‘frescura’, mas é real”,
pontua Mariano.
Para o médico, que é especializado em cefaléias e
foca seus estudos e prática na área há mais de uma década, o maior problema é
que muitos profissionais não examinam o paciente adequadamente nem buscam
descobrir os fatores que desencadeiam a enxaqueca em cada caso específico. “É
muito comum que o problema seja meramente rotulado: o senhor tem dor de cabeça,
então tome isso. A senhora tem enxaqueca? tome aquilo. Isso é preocupante e não
resolve o problema, pois ataca a conseqüência e não a causa”, alerta.
O médico explica que é necessário fazer um exame
clínico minucioso e desenvolver uma investigação das dores junto com o
paciente, para então identificar a causa e aí sim buscar uma solução.
“Recentemente, por exemplo, atendi uma paciente que sofria com enxaqueca há
mais de cinco anos, sem ter encontrado nenhuma solução. Antes de vir a mim ela
fez uma tal dieta da enxaqueca, que prometia eliminar a enxaqueca cortando
determinados alimentos do consumo diário da paciente. Ela só perdeu peso, mas
continuou com a enxaqueca. Depois de examinar a paciente e investigar sua vida,
verificamos que a enxaqueca era causada por dosagem de hormônios aliada a
questões musculares. Identificadas as causas elas foram controladas e a
enxaqueca sumiu”, diz.
Mariano ressalta ainda um fato alarmante: a
não-investigação correta das causas de uma dor de cabeça pode ter conseqüências
muito mais graves, afinal, um aneurisma pode apresentar os mesmos sintomas de
uma enxaqueca. “A prática de se rotular
uma cefaléia ou, pior ainda, de quem sofre com ela tomar um analgésico para
passar a dor sem saber o que a causou, é extremamente perigosa. O médico e o
paciente devem ser extremamente cuidadosos, pois podem estar tratando uma
bomba-relógio como uma coisinha à toa”, diz.
Mariano relembra que a dor de cabeça é uma doença
neurológica reconhecida cientificamente e deve ser vista como tal. Com o exame
e a investigação clínica adequados, porém, é possível identificar as causas e
dar o tratamento adequado á ela. No caso da enxaqueca feminina, reside aí a boa
notícia para as mulheres que sofrem e tem sua qualidade de vida altamente
comprometida por ela. “Não há uma cura, pois estamos falando de algo
determinado geneticamente. Mas uma vez identificados os fatores que ativam a
enxaqueca, é possível exercer todo o controle sobre ela e ficar livre de suas
consequências”.
A tese de doutorado de Hilton Mariano, na qual o
neurologista apresentou o estudo feito com mulheres e comprovou os impactos da
enxaqueca sobre elas, foi defendida na Universidade de São Paulo (USP) e será
apresentada em outubro no Congresso Brasileiro de Cefaleia, em Vitória (ES).