Moradores de Vinhedo lançam livro nesta quarta-feira, dia 15

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Nesta quarta-feira, dia 15, na sede da Academia
Metropolitana de Letras, Ciências e Artes (Amlac), no Colégio de Vinhedo, a
partir das 19h, ocorre o lançamento de dois livros de moradores da cidade. São
eles “O Tango da Vida”, de contos, de Simone Pedersen, e o romance “O Milagre
de Anna Roza”, de Wladimir Novaes Martinez.

Em “O Tango da Vida”, Simone Pedersen consegue demonstrar,
através de contos, agressividade, tristeza, drama, paixão, como no tango. A cronista
colhe os exemplos de situações do cotidiano, que conduzem a algo maior. Cada
personagem, a seu modo, encarna um papel fundamental no drama da existência
humana.

A narradora mostra a todo tempo o quanto as circunstâncias
da vida podem ser relativas, como a própria liberdade. Questionador, o texto
desafia os clichês e mostra uma vida a ser diariamente conquistada.

A feição social, uma das linhas norteadoras da produção de
Simone, por vezes alterna-se com o lirismo de uma narradora que se deixa ler
nas entrelinhas, mostrando que na vida há embarcações de todos os tipos, belas
ou sombrias, e que obter o equilíbrio constitui o grande desafio de quem
pretende nela se aventurar.

Outro aspecto bastante interessante na ficção da autora
revela-se no entrecruzar de ilusão e realidade: um sonho de que se acorda
subitamente e que se revela tão saboroso que transcende os limites entre real e
verossímil. A narradora, mulher simples que se sonha uma famosa atriz italiana,
sinaliza uma viagem que se converte em viagens múltiplas, que atravessam
fronteiras e se imbricam pela arte, pela gastronomia e pela cultura italianas.

Já o romance ‘O Milagre de Anna Roza’, de Wladimir
Novaes Martinez, traz a intrigante história de Anna Roza, uma mulher muito
bonita, que vivia em Botucatu numa casa de tolerância em 1885. Porém, por não
ser uma prostituta, ela não se dava aos homens que a queriam e por isso
rejeitou as pretensões amorosas de Chicuta, um carreiro de Avaré.

Este, então, pediu-a em casamento, levou-a para Avaré, mas
90 dias depois, não suportando a vida de dona de casa, ela fugiu a cavalo e
voltou para Botucatu (nessa época, boca violenta do sertão), retornando ao prostíbulo.
Porém, Chicuta contratou dois pistoleiros e, com eles, assassinou e esquartejou
Anna Roza.

Quando os restos mortais da infeliz da infeliz moça
foram levados para IML, em uma carroça, o povo sentiu um maravilhoso perfume de
jasmim que dali emanava do veículo. Hoje o túmulo de Anna Roza, em Botucatu, no
Cemitério das Três Cruzes, é o mais visitado e está repleto de devotos.

Ela é, por assim dizer, se tornou uma espécie de santa. A capelinha,
que ilustra a capa do livro, foi construída em 1921 próxima do local da
tragédia. O romance passa-se em 1950 em Botucatu, onde o autor morou, em torno
de um milagre que sucedeu com um inocente comunista que se curou ao pedir ajuda
a Anna Roza, cura que surpreenderá o leitor e cuja solução se encontra apenas
na última página do livro.

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