Recesso, férias coletivas e comemorações de fim
de ano, tudo atrelado com a estação mais quente do ano, o Verão. Nesse período
muitas pessoas tiram os dias de descanso para viajar para praias, campos e
clubes, porém, para curtir o verão sem riscos à saúde, adultos, jovens e
crianças não devem se descuidar da alimentação. Nessa época do ano são
registrados em média um aumento de 20% no número de atendimentos em
pronto-socorros e hospitais do Brasil devido a intoxicações alimentares e
ingestão de alimentos mal armazenados e estragados que causam vômitos, diarréia,
desidratação e mal-estar.
Nesse sentido, os cuidados com alimentação
devem ser reforçados para que não haja a ingestão de produtos e alimentos
contaminados e que trazem riscos à saúde. É por meio de práticas simples e um
controle adequado do que se é consumido que podemos evitar problemas
gastrointestinais, infecções e intoxicações alimentares, é o que explica a
nutricionista do esporte, Camila Marcucci Gracia do HCor – Hospital do Coração em São Paulo.
“É comum que em praias e clubes o acesso a
alimentos gordurosos como frituras e porções seja mais fácil. Isso torna esses
alimentos como um dos mais consumidos no verão, porém, a forma de armazenagem,
higiene, odor e sabor do alimento devem ser observados para evitar problemas
gastrointestinais. Frituras, alimentos gordurosos, bebidas alcoólicas e doces
devem ser evitados e substituídos por alimentos saudáveis, como lanches
naturais, água de coco, sucos, água, frutas, etc.”, explica Gracia.
Os cuidados com a comida fora de casa devem ser os mesmos
que em qualquer outra situação. Contudo, é importante que se verifique a
higiene e limpeza dos carrinhos, isopores, utensílios, bem como a forma de
armazenamento dos produtos e se há o uso de luvas e roupas adequadas para o
manuseio seguro dos alimentos e do dinheiro.
Na praia, devido ao sol e ao calor, o ideal é o consumo de
alimentos leves, de fácil digestão e que ajudem na reposição de água e sais
minerais perdidos na transpiração.
Já no caso das crianças, em que os pais possuem uma certa
dificuldade para inserir alimentos saudáveis nesses ambientes, o ideal é
negociar um limite diário para o consumo de alimentos calóricos, ricos em
colesterol e açúcar.
Dicas úteis para praias e clubes
Praias: Primeiro cheque a temperatura dos alimentos – coisas geladas devem
estar geladas e coisas que passaram por processo de cozimento devem estar
inteiramente cozidas, sem pedaços crus. Verifique o cheiro e o gosto. Na
dúvida, não coma. No caso de frituras como pastéis, churros e porções verifique
como são armazenados os ingredientes desses alimentos e se os mesmos estão com
boa aparência e odor adequados.
Clubes: Em clubes há a possibilidade de se realizar uma
refeição mais equilibrada no almoço, pois muitos servem refeições, porém, no
que diz respeito a alimentos impróprios para ingestão eles seguem as mesmas
indicações do que são consumidos na praia.
Dicas da nutricionista para os alimentos
Sorvete: Existem diversos tipos de sorvete.
Para a praia o ideal são picolés de frutas à base de água, mais leves,
hidratantes e menos calóricos que os à base de leite ou com chocolate.
Milho cozido: O milho cozido é uma fonte de
carboidratos, como o arroz, pães e batata. Não há uma contra-indicação ao seu
consumo, mas como qualquer alimento rico em fibra deve ser muito bem mastigado.
Além disso, verifique a higiene e limpeza do vendedor e do carrinho;
Raspadinha: A raspadinha é um gelo triturado
com xarope de groselha, guaraná, etc. O xarope contém muito açúcar e muito
corante. Além disso, deve-se sempre checar a procedência do gelo. A água
contaminada pode ser uma fonte de microorganismos que podem causar desarranjos
intestinais;
Pastéis: Frituras devem ser evitadas. São de difícil digestão
e contém elevado valor calórico devido à quantidade de gordura. Outro problema
é a qualidade do óleo usado na fritura. Normalmente fritam-se todos os
alimentos no mesmo óleo e nem sempre este é trocado com a devida frequência.
Melhor evitar;
Espetinho de queijo: Espetinho de queijo coalho contém
bastante gordura também. Em uma escala, é melhor do que uma fritura, mas não
coma demais;
Espetinho de camarão e porções de
peixe e camarão:
Mesma coisa dos pastéis com a agravante de ser um crustáceo. Eles devem estar
frescos e bem conservados, pois são grandes causadores de intoxicações
alimentares.
Amendoim: O amendoim e demais castanhas são
alimentos que podem ser consumidos com moderação. Prefira os assados aos fritos
(leia na embalagem) e coma com moderação. Embora saudáveis são calóricos e em
excesso levam ao ganho de peso;
Churros: Mesma coisa dos pastéis – frituras
em geral devem ser evitadas. Além do que aqui ainda agrega-se açúcar e doces
como doce-de-leite, brigadeiro, entre outros. O valor calórico é muito elevado;
Água de côco: Pode ser tomada sem medo. Essa
bebida é um excelente hidratante, rico em vitaminas e em sais minerais. Só
verifique a higiene do carrinho;
Sanduíche natural: É uma boa opção, mas verifique se ele é mesmo um
sanduíche natural. Não tem sanduíche natural de salame com queijo. O sanduíche
natural deve ser de coisas leves, como queijo branco, peito de peru, atum,
frango e vegetais, como alface, cenoura, tomate etc. A maionese até pode ser
colocada, mas tome o cuidado de verificar se o sanduíche está adequadamente
refrigerado, embalado e fresco (dentro do prazo de validade);
Biscoitos variados: Biscoitos são uma boa opção. São
leves e de fácil digestão e podem ser consumidos de forma prática na praia. O
problema é o tipo de biscoito. Prefira os biscoitos sem recheio e sem chocolate
e prefira os assados, como os do tipo polvilho ou de água e sal, por exemplo;
Refrigerantes: Podem ser tomados, com moderação.
Lembre-se de que não devemos nos hidratar somente com refrigerantes em nenhuma
situação. O ideal é limitar a ingestão de refrigerantes e tomar mais água;
Caipirinha e Cerveja: Sabemos que a tentação é grande,
mas bebidas alcoólicas devem ser evitadas. Elas podem piorar a desidratação. Se
for consumir, beba pouco e alterne o consumo de bebidas alcoólicas com não
alcoólicas;
Sucos de frutas: São boas opções, especialmente
para as crianças, em substituição ao refrigerante. Mas, de qualquer forma deve
ser intercalado com o consumo de água.