A Saraiva
apresenta no dia 10/8, terça-feira, às 19h, no Espaço Carlos Gomes , um
bate-papo com Benjamin Moser, autor do livro Clarice, e o mediador Paulo
Werneck. Não é de hoje que críticos, biógrafos, pesquisadores,
jornalistas, artistas de cinema e teatro tentam decifrar Clarice Lispector. Sem
contar os livros de sua autoria, só na Amazon.com são listados 74 itens que
contêm “Clarice Lispector” no título; na Livraria Cultura são 37. A fotobiografia
organizada por Nádia Battella Gotlib traz oitocentas imagens.
Seu rosto é
reproduzido à exaustão em livros, na internet, em selos postais e até em
literatura de cordel, tornando-se um ícone da cultura brasileira. O mistério
estampado no rosto da escritora, no entanto, permaneceu renitente. Por isso é
que, na edição brasileira, Benjamin Moser e a Cosac Naify apostaram não em
imagens, mas numa narrativa, para dar conta desse mistério. O livro contém
apenas uma imagem de Clarice: e mesmo assim seu rosto não aparece na capa,
apenas na lombada do livro e numa foto interna. Como se o projeto gráfico de
Luciana Facchini dissesse que é somente pelas palavras que se pretende capturar
vida e obra. O título do livro em português – Clarice, – remete à proverbial vírgula que abre Uma aprendizagem ou O livro dos prazeres.
Tornar-se um
ícone, um mito da cultura também tem seu preço: a incompreensão, a
transformação em “monstro sagrado” que Clarice rejeitou em vida – mas que
inevitavelmente aconteceu. A tarefa que Benjamin Moser impôs a si mesmo foi
humanizar o “monstro sagrado”. Assim, atitudes que muitas vezes poderiam soar
como excentricidade de artista se explicam, nas palavras de Moser, pelas
situações que ela viveu não “como um mito”, mas “como pessoa” – mulher,
mãe, dona de casa ou escritora, num país ainda machista, pouco afeito à leitura
e instável politicamente.
Numa
pesquisa inédita, o autor percorreu todos os lugares por onde os Lispector
passaram, da agreste Podólia (região da Ucrânia) ao célebre apartamento no Leme
onde a escritora passaria o resto da vida, passando pelo Recife da infância e
as cidades onde Maury Gurgel Valente, seu marido diplomata, serviu.
Outro ponto
alto do livro é a escrita de Benjamin Moser, que soube encadear numa narrativa
envolvente trechos de textos de Clarice, de seus contemporâneos, depoimentos e
documentos inéditos. Postas lado a lado, duas citações já conhecidas muitas
vezes ganham um novo e inesperado sentido. Revelam-se, assim, aspectos
desconhecidos da vida da escritora.
A habilidade
narrativa de Moser também é visível nas relações que ele tece entre vida e
obra. Como não poderia deixar de ser, o relato da vida de Clarice é pontuado
pelos seus escritos. Não se trata de explicar de maneira reducionista a vida
pela obra ou vice-versa; mas fazer com que uma funcione como caixa de
ressonância de outra. Assim, a cada capítulo o narrador se volta para o livro
que Clarice estava escrevendo ou publicando naquele momento, o que faz da
biografia também um guia de leitura, uma porta de entrada para o universo
clariciano.
Foi quase
por acaso que Benjamin Moser aprendeu português. Este texano de Houston, que
nasceu em 1976 e fala seis línguas, queria aprender chinês até descobrir que
não levava muito jeito para os ideogramas, e acabou matriculado num curso na
língua de português. Habituado, desde a infância, com a fala dos imigrantes
lusitanos de sua região natal, não encontrou maiores dificuldades. Ao menos até
deparar no terceiro semestre do curso com A hora da estrela, de Clarice Lispector. “Fiquei
impressionadíssimo. Ainda estou”, relembra. “Logo na primeira página eu disse a
mim mesmo: essa é uma escritora.”
Já sem as
obrigações na editora londrina Harvill Press, em 2002, foi morar na Holanda,
onde releu vários autores, entre eles Clarice, e se peguntava: “Como é possível
que ninguém fora do Brasil saiba quem é essa mulher?”. Soube da homenagem a
Clarice Lispector na Flip e no dia seguinte embarcou para o Brasil. Desde então
passou a se dedicar à biografia que agora chega à terra de Clarice.
Colunista da
Harper’s Magazine e colaborador
do The New York Review of Books,
Moser é formado em história e também estudou na França. Entre suas atividades
esta ainda a tradução literária. Já traduziu do holandês, francês, espanhol e
português. É dele a tradução de Nove
noites, de Bernardo Carvalho e de todos os romances policiais de Luiz
Alfredo Garcia-Roza.
Serviço
Título: Clarice,
Editora: Cosac Naify
Autor: Benjamin Moser
Preço: R$ 79,00
Serviço: Papos & Idéias com Benjamin
Moser – Saraiva MegaStore Shopping
Iguatemi: Av. Iguatemi, 777 – 2º piso
Tel.: 3252.0223
Entrada Gratuita